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quarta-feira, 28 de julho de 2010

Verdes vão à escola de cidadania (Publicado na Folha de PE de hoje)

Da Folha de Pernambuco

Beatriz Gálvez

Em um imóvel simples, de 35m² divididos em dois cômodos, funciona a “Escola Popular de Direito Constitucional Pequeno Cidadão”, na comunidade do Coque. A instituição foi visitada, ontem, pela chapa majoritária do Partido Verde, encabeçada por Sérgio Xavier, no que foi o ponta-pé inicial de sua campanha de rua. Ele, sua vice, Nely Queiroz, e a candidata ao Senado, Renê Patriota, além do ex-deputado Roberto Leandro visitaram o espaço, onde assistiram a uma aula com os alunos mais novos. Os mais velhos se preparavam para fazer uma apresentação de danças populares para os verdes, em seguida, em um espaço na entrada da rua, que já é chamado de Praça de Marina (Silva, presidenciável do PV). As duas professoras, que são irmãs, Ângela e Maria Oliveira da Silva recebem apenas um valor simbólico, uma contribuição para ensinarem noções de lei e constituição para 60 crianças de dois a 13 anos de idade.

O projeto da Escola veio da falta de perspectiva dos jovens da comunidade e, consequentemente, da frequência com que isso os levava ao crime ou à morte. Gacineide da Silva foi uma das criadoras da iniciativa, e explicou que a ideia surgiu durante o enterro de um jovem, no cemitério de Santo Amaro, quando ela falou com Renê para dar cursos, e já no dia seguinte o movimento começou a se organizar. “Eu disse que não poderia dar curso, mas que podíamos fazer uma escolinha. O treinamento foi simples, perguntei se sabiam ler e entreguei a Constituição para que lessem e ensinassem. A primeira aula foi na casa de Gacineide, e depois cresceu. A ideia é que se multiplique”, explicou Renê Patriota.

Sérgio Xavier conversou com as crianças, após a aula, e disse que estava ali para aprender e que não estava atrás de voto, mas de aprendizado. Criada por Renê Patriota há três anos, a escola é mantida pela mensalidade paga pelos sócios da Associação de Defesa dos Usuários de Planos de Saúde (Aduseps) e não tem vínculo com o PV.



segunda-feira, 17 de maio de 2010

Hoje é o dia Internacional de Combate à Homofobia


Esta foto mostra militantes da luta pelos direitos dos GLBT nos EUA nos anos 60

Em 17 maio de 1990, a Organização Mundial da Saúde (OMS) deixou de classificar a homossexualidade como transtorno mental, retirando-a da Classificação Internacional de Doenças (CID), onde aparecia desde 1948 com o código 302.0.

Desde então, movimentos de defesa dos direitos humanos de vários países do mundo (inclusive o Brasil) passaram a marcar o 17 de de maio como o Dia de Combate à Homofobia. Hoje é um dia de comemoração mais também de lutas e protestos, pois mesmo depois de 20 anos da histórica decisão da OMS, muita gente ainda considera a homossexualidade como uma doença ou perversão.

Gays, Lésbicas, Bissexuais e Transexuais continuam sofrendo às conseqüências de sua orientação sexual no trabalho, na escola e até mesmo em casa, porcausa da homofobia de muitas pessoas. Portanto é necessário muita educação para combater o preconceito que ainda existe na nossa sociedade.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Dormindo ministro e... acordando ministro


Use o ex-amigo de seu adversário contra ele. Uma receita muito usada pelo stalinismo. Racionalizações pseudo-ideológicas mascara simples jogo de poder na saída --atirando-- de Juca Ferreira.

Alfredo Sirkis

“Não posso dormir ministro e acordar na oposição”, essas aspas de Juca Ferreira contêm a quase honesta justificativa da sua posição de apoiar a candidatura de Dilma e passar a bater em Marina. Quase, porque a totalmente honesta seria: “Não posso dormir ministro e acordar não-ministro. Quero poder dormir ministro e poder sonhar que vou acordar ministro, até final de 2014, pelo menos”.

Fica mal travestir essa realpolitik, esse pragmatismo egocêntrico, tão enraizado na política brasileira com sentenciosas racionalizações. A língua inglesa tem uma boa expressão: self fulfilling prophecy, uma profecia de natureza a engendrar sua própria realização. É o que praticam os dilmistas --agora, Juca é um deles-- quando tentam nos empurrar para cima dos tucanos.

Esperamos estar no segundo turno. A campanha de Marina está crescendo e costumo dizer --acreditando-- que irá muito mais longe do que eles pensam e muito mais longe que nós mesmos imaginamos. Se, ao fim, ao cabo, não estivermos no segundo turno vamos discutir o que fazer, em Outubro. Seria inteligente da parte deles --é o que o Serra faz-- evitar um tratamento hostil e arrogante. Mas, iria contra uma cultura de esquerda autoritária e beligerante.

Dilma está possuída de soberba e arrogância quando aceita o histórico escorregão de Lula, comparando os presos políticos cubanos com bandidos e, quando recusa-se a defender seus mais elementares direitos humanos, evitando discordar do chefe “nem que a vaca tussa”, para se solidarizar minimamente com o sofrimento desses presos políticos, igual ao dela, no passado.

No mais, é uma velha tática stalinista, escalar alguém próximo para atacar, acusar. Há dezenas de casos assim nos anais da velha esquerda. Detalhe: em geral, esses personagens são utilizados e depois descartados.

Hipocrisia

O PV defende e continuará defendendo --muito mais que o PT-- a discriminalização do aborto e os direitos dos homossexuais. Temos companheiros que, por motivos de consciência religiosa, discordam dessas posições e lhes é assegurada essa clásula de consciência. Marina aceita a união civil de pessoas do mesmo sexo e considera que são temas afeitos ao Legislativo, e que podem eventualmente ser dirimidos por referendo popular.

Exatamente, o mesmo tipo de posicionamento pode ser encontrado no PT. Dentre os aliados de direita e extrema-direita do governo (no PP, PMDB, etc...), há muitos militantemente contrários à discriminalização do aborto e francamente homófobos, coisa que no PV não existe e seria (a homofobia militante) motivo de expulsão.

Juca disse ser o suposto recuo em relação a esses temas a razão de sua dissidência mas, no seu novo lado está cercado por pessoas que também têm posiçõe,s francamente e militantemente, reacionárias a respeito.

É curioso nos acusar, o PV e Marina, de “direita”, por causa da suposição que fazem (a tal self fulfilling prophecy) sobre segundo turno enquanto, eles, já no primeiro, estão na cama com Jader Barbalho, Renan Calheiros, e outros expoentes das oligarquias coronelistas mais tradicionais, que certamente agora merecerão aquele diploma “de esquerda”, que só o PT pode conferir.

Ah, meus amigos...

A pior coisa a respeito de fazer política é vê-la solapar amizades de décadas que a gente julgava definitivas. Sinto que praticamente perdi meus três melhores e mais históricos amigos, de 30, 40 anos e isso, pelo menos para mim, é tremendamente doloroso.

Outro dia me lembrei do filme Spartacus, obra prima dirigida por Stanley Kubrick. Na escola de gladiadores havia um negro fortíssimo, acho que se chamava Garba, que logo foi avisando a Spartacus: “gladiador, nunca faça amigos gladiadores porque amanhã poderá ter que lutar com eles até a morte”.

[Garba não seguiu a própria recomendação e o estopim da revolta dos escravos foi quando se recusou a matar Spartacus --o qual conseguira prender numa rede à mercê do seu tridente-- e foi morto arremetendo contra a tribuna de honra onde estavam os nobres romanos.]

Me lembrei do filme ao me perguntar se nós ao fazer política ficamos como os gladiadores, impossibilitados de fazer amigos ou, no caso, de conservar os que já tínhamos a tantos anos, quando as coisas eram claras e sem todos esses meios-tons.

Prezo muito a amizade. Penso que é uma das coisas mais importantes da vida. Já não se fazem amigos como antigamente. Aqueles de ir na casa, de não ter segredos, de falar sobre as mulheres, de falar besteira sem se policiar. Sou bastante condescendente com defeitos dos meus amigos, espero que sejam, pelo menos, um pouco com os meus. No passado, vivemos situações extremas. Arrisquei a minha vida para tirar dois deles da cadeia e da tortura, penso que teriam feito a mesma coisa por mim se as circunstâncias fossem ao contrário.

Talvez, tenha sido o tempo e certamente foi a política. A relação mudou. Comecei a perceber jogos táticos e estratégicos, não-ditos. Percebi que estava virando uma relação “política”, quando para esses amigos virei “Sirkis”, e não mais Alfredo (ou Alfredão). Um dia virei pessoa jurídica... As relações tornaram-se distantes e permeadas de cautelas, artifícios e eventuais artimanhas. O medo da traição e da rasteira passou morar no quarto dos fundos.

Não gosto de política tanto assim. Para mim é um meio de emplacar sonhos, projetos, idéias. A atividade, em si, frequentemente me exaspera e incomoda com uma imensa perda de tempo. É mais gostoso escrever, por exemplo. Gosto do executivo, das policies; tenho cada vez mais problemas com as politics propriamente ditas. O inglês faz essa distinção entre políticas públicas (policies) e a política de poder (politics). No seu livro de memórias, o Bill Clinton sustenta que para podermos fazer as primeiras é preciso se garantir na segunda. Deve ter razão.

Segundo parece, para sermos bons de politics devemos, como Garba disse (mas não fez...), abrir mão da amizade e, pior, eventualmente engolir aliados que consideramos do mal. Seres humanos pelos quais temos um perplexo horror ou simplesmente um condescendente desprezo. O preço vai ficando proibitivamente alto em matéria de perdas e de sapos a serem devidamente engolidos.

Política virou um vício, uma cachaça? Será que vale mesmo a pena?

Perdoem os 5 minutos de perplexidade. Isso passa.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Em tempo: Mulheres sustentáveis


Nota do Blog: Tivemos problemas na atualização do blog no último dia 8 (dia Internacional da Mulher), mas ainda é tempo de falar do assunto. Aliás, sempre é.

Por Nádia Rebouças*

Creio que não podemos falar em mulheres genericamente. De que mulher vamos falar? Das executivas que são diretoras de grandes empresas? Daquelas que conseguiram se destacar na política e chegaram até ao cargo mais alto do país? Daquelas que em várias atividades, lutam para construir um mundo melhor, se posicionando como agentes políticos?

Ou será que falamos daquelas que levam de 2 a 3 horas para ir e vir do trabalho, que não tem com quem deixar seus filhos, que cuidam de tudo sozinhas porque os maridos... Essas ficam com medo da adolescência de seus filhos porque ela vem carregada de ameaças: drogas, violência, armas e falta de oportunidades. Encontramos ainda as que sofrem muita violência doméstica, que nos pedem ajuda também para os homens, para que possam melhorar a qualidade de vida. Algumas perdidas na zona rural ou ribeirinhas que vivem situações de violência doméstica em localidades sem qualquer apoio.

Ou falaríamos da novíssima geração, essa sim, contaminada pelos novos tempos que se anuncia que proíbem ou controlam a TV para seus filhos, insistem em novos hábitos alimentares, lêem rótulos de alimentos e remédios, que controlam o consumo do supérfluo? Sonham com as ecovilas, tentam reciclar o lixo em suas casas, para nada (os condomínios e prefeitos não fazem sua parte), têm filhos de parto normal, e escolhem amamentar e amamentar e tentam buscar o difícil equilíbrio entre o profissional e a família?

Nossa, mas ainda temos tantas outras mulheres! Aquelas que escolhem focar em plásticas, academias, regimes e roupas justas. As hetero e as homossexuais e, claro, as bissexuais. Já temos até uma parcela que escolhe viver só, sem filhos.


Além disso, ainda temos as que estão mudando o sentido do que se convencionou chamar de velhice, as mesmas que começaram a revolução, lá atrás. Muitas na mesma luta para construir novos tempos.

Um perigo falar de mulheres. Somos o que somos, o que escolhemos, o que pensamos ou queremos ser. Pelo menos fica claro o que conquistamos, temos muito mais direito de escolha. Nunca em nenhum outro momento da civilização as mulheres foram tão diversas. Uma coisa, no entanto, não mudou, a nossa capacidade de influenciar a educação de futuras gerações, ao contrário, ela só aumentou. A pergunta que fica é o que fazemos com esse nosso poder influenciador para manter nossa casa azul e solta no universo, respirando? Será que daqui a, sei lá, 20 anos, vamos ter uma revolução do feminino, onde homens e mulheres vão redescobrir o sentido da palavra proteger?

(*) Nádia Rebouças é especialista em Comunicação para a Sustentabilidade e sócia da Rebouças & Associados.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

"Os Direitos da Pessoa Idosa e da Pessoa com Deficiência no PNDH-3" abre série de debates promovidos pelo Conselho Nacional do Idoso

O Conselho Nacional dos Direitos do Idoso (CNDI), ligado à Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República (SEDH/PR), inicia na próxima quinta-feira (25), em Brasília (DF), uma série de nove videoconferências para a apresentação e debate de diversas temáticas que envolvem o universo dos direitos da pessoa idosa no Brasil. A primeira rodada será realizada em parceria com o Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Conade) e terá como tema “Os Direitos da Pessoa Idosa e da Pessoa com Deficiência no Programa Nacional de Direitos Humanos - PNDH 3”.

A subsecretária Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Izabel Maior, e o subsecretário de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos, Perly Cipriano, discorrerão, em viodeoconferência transmitida para todo o Brasil, os pontos do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) que abordam, respectivamente, a área da pessoa com deficiência e da pessoa idosa. Além dos subsecretários, participam do debate José Luiz Telles, presidente do CNDI, e Denise Costa Granja, presidente do Conade.

O objetivo é promover a divulgação das propostas, potencializar as discussões e sedimentar a articulação entre conselhos. O debate é aberto a todos os segmentos representativos interessados em contribuir.

“É fundamental criarmos fóruns específicos para difusão do PNDH-3; temos que discutir os pontos específicos de cada área; o PNDH-3 traz em suas diretrizes e objetivos estratégicos a promoção e proteção dos direitos das pessoas com deficiência e a acessibilidade igualitária. O movimento de pessoas com deficiência precisa conhecer todas as propostas defendidas pelo programa, pois representam um avanço”, afirmou a subsecretária Izabel Maior.

O evento será transmitido por videoconferência e por vídeo streaming (vídeo re-escalado e/ou comprimido através de redes, com download rápido e eficiente) a partir do auditório da Interlegis, em Brasília. As Assembléias Legislativas de cada estado interligadas ao sistema terão salas de videoconferência onde qualquer cidadão interessado pode acompanhar o debate ao vivo, inclusive fazendo observações e perguntas para os debatedores.

Todas as pessoas interessadas que possuam acesso à Internet poderão acompanhar o evento, bastando acessar, na data e nos horários programados, o serviço de vídeo streaming disponibilizado no sítio do Interlegis (www.interlegis.gov.br).

Questões também poderão ser enviados para o e-mail videoconferenciacndi@sedh.gov.br.

Videoconferência: Direitos da Pessoa Idosa e da Pessoa com Deficiência no PNDH-3
Data: 25 de fevereiro de 2010 (quinta-feira)
Horário: 16h às 18h
Local: auditório Antônio Carlos Magalhães, Secretaria Especial do Interlegis, Via N2, Anexo E do Senado Federal, Brasília/DF.

Fonte: presidencia.gov.br